Como a greve dos caminhoneiros impacta Santa Catarina

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Em três dias de manifestação, a paralisação nacional dos caminhoneiros trouxe diversas consequências para os catarinenses. Ao mesmo tempo em que a categoria já conquistou algumas de suas reivindicações, como a isenção do tributo Cide, as dezenas de bloqueios continuam aumentando nas rodovias do Estado e afetam serviços essenciais em alguns municípios.

A situação mais grave é a falta de combustível, principalmente no Oeste. O município de São Lourenço do Oeste, por exemplo, não tem mais gasolina nem diesel desde terça-feira. Em São Miguel do Oeste e Chapecó também começa a faltar combustível. Nesta quarta-feira (23) motoristas enfrentaram filas nos postos das cidades para tentar garantir gasolina antes de haver um possível desabastecimento. Os postos de combustível de Biguaçu, na Grande Florianópolis, também deixaram de receber combustível na manhã desta quarta-feira. De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Minerais de Florianópolis (Sindópolis), os caminhões que abastecem os postos foram obstruídos no bloqueio da SC-407, onde há diversos manifestantes reunidos. Situação semelhante é enfrentada em Itajaí, no Litoral Norte. Ambas as cidades podem ficar sem combustível a partir desta quarta à noite.

O vice-presidente do Sindópolis, Joel Fernandes, alertou que o problema de desabastecimento pode atingir mais cidades nos próximos dias. Se a situação for agravada, com mais bloqueios nas rodovias catarinenses, a gasolina pode acabar na maior parte das cidades do Estado em até seis dias. Além disso, a redução do valor nos últimos dias pode não ser repassada pelos postos ao consumidor.

 

REIVINDICAÇÕES NACIONAIS

 

A principal conquista da categoria até agora foi a isenção da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), um dos tributos que incide sobre o diesel. O decreto da medida, no entanto, depende ainda da aprovação da reoneração da folha de pagamento de outros setores, que devem perder benefício do desconto a partir de dezembro de 2020.

Ainda há outra medida que o grupo reivindica, que é o fim da alíquota de PIS/Pasep e Cofins na venda do diesel. De acordo com os manifestantes, os impostos representam cerca de 40% de todos os custos que envolvem o serviço dos caminhoneiros autônomos.

Os combustíveis também tiveram redução pelo segundo dia seguido. A partir de quinta-feira, o valor do diesel nas refinarias passará de R$ 2,3351 para R$ 2,3083, em redução de 1,15%. Já o valor da gasolina deve cair 0,62%, passando a custar R$ 2,0306. A medida, entretanto, não é uma resposta às manifestações, e sim o movimento de mercado causado pela Nova Política de Preços da Petrobras.

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